quinta-feira, 20 de março de 2008

Obama e o pecado original americano


Caros alunos:


Quando Obama afirma que a raiva dos negros é legítima, penso nos negros de nosso país e sua postura tão dócil e polida... Veja o texto do Herald Tribune:



Apartheid, Barack Obama e o pecado original americano



Roger Cohen

*Do The International Herald Tribune, em Nova York



Há coisas em que você passa a acreditar e coisas que carrega em seu sangue. No meu caso, tendo passado parte da minha infância no apartheid da África do Sul, eu carrego minha dose de vergonha.Na infância, a experiência não tem palavras mas não é menos poderosa por isso. Quão vasta, quão reluzente, era a praia de Muizenberg, perto da Cidade do Cabo, com toda aquela pele branca brilhante espalhada pela areia dourada!Os negros esqueléticos estavam em outro lugar, nadando além das rochas em um porto imundo, que eu assistia da janela da casa do meu avô e me espantava.Certa vez, uma babá negra me levou até o outro lado da rua até um parapeito acima dos trilhos ferroviários, ao lado daquele porto e me segurou sobre ele. "Você não ia querer que eu soltasse você", ela disse.O medo que senti permaneceu. Há poucos anos eu voltei para medir qual teria sido a altura da queda. Na memória, o abismo tinha uns 30 metros. Na verdade, era uma queda de 3 metros. Essa discrepância mede o pânico de criança.Uma placa de "Á Venda" se encontrava naquela que tinha sido a casa da família. Eu perguntei se podia visitá-la e recebi uma recusa grosseira, mas não antes de ter vislumbrado a montanha atrás, onde meu pai gostava de caminhar e onde eu temia as cobras entre os arbustos espinhosos.O medo, tão obscuro quanto os tubarões além das redes em Muizenberg, nunca esteve ausente de nossas temporadas africanas iluminadas pelo sol. O meu se formou a partir da desorientação: eu não exatamente fazia parte do sistema porque meus pais emigraram de Johannesburgo para o Reino Unido. Então, nos retornos para visita, eu entrava no toalete público apenas para negros ou me sentava no banco apenas para negros.Só para negros -e eu era branco. O apartheid entrou na minha consciência como uma espécie de auto-humilhação. As mulheres negras que me davam banho quando pequeno podiam tocar minha pele, mas o mundo delas era intocável.Apenas posteriormente a crueldade do sistema ganhou foco. Eu vejo homens brancos, com bafo de álcool, com carne vermelha em seus pratos, sob os jacarandás de Johannesburgo, desprezando a possibilidade de alguma vez desejarem uma mulher negra.Estas lembranças foram trazidas de volta pelo discurso pioneiro de Barack Obama nesta semana sobre raça. A escravidão foi de fato o "pecado original" dos Estados Unidos. É claro, "o legado brutal da escravidão e Jim Crow" persiste em formas de humilhação dos afro-americanos e revolta que ardem de formas incomunicáveis aos brancos.A segregação colocou os negros americanos no equivalente dos Estados Unidos àquele porto africano imundo.É preciso coragem para navegar nestes lugares onde a ferida é profunda, incompreensão a regra, assim como é preciso coragem para dizer, como fez Obama, que para os negros a "raiva é real; é poderosa; e simplesmente desejar que desapareça, sem entendimento de suas raízes, apenas serve para expandir o abismo de incompreensão que existe entre as raças".O progresso desde o movimento dos direitos civis, ou desde o fim do apartheid, aliviou as feridas de raça, mas não as fechou. Carregar minha parte de vergonha significa também carregar uma pista para os abismos silenciosos de rancor para os quais Obama apontou com palavras.Eu entendo a raiva de seu antigo pastor, o reverendo Jeremiah Wright, por mais odiosa que seja como a forma que a expressou. Eu admiro Obama por ter dito: "Não posso repudiá-lo mais do que posso repudiar a comunidade negra".Honestidade parece um elixir no momento. Por oito anos nós vivemos com as fórmulas áridas, nós contra eles, da mente inferior de Bush, que o resultado desta exploração cheia de nuances do assunto mais difícil da América se torna quase eufórico. Será que um ser humano, como Wright, ou como a avó de Obama, é de fato habitado por ambigüidades?Sim. Pode.A transição inimaginável na África do Sul, quase sem derramamento de sangue, que Nelson Mandela tornou possível é um lembrete de que liderança importa e palavras importam. O clamor nos Estados Unidos no momento por uma presidência que eleve em vez de humilhar é um reflexo do deserto intelectual e de oratória dos anos Bush.Hillary Clinton disse em janeiro que: "Você faz campanha com poesia, mas governa com prosa". Errado. Os Estados Unidos já estão cheios do prosaico.O impensável pode ocorrer. Quando era adolescente, meus parentes me aconselharam a curtir as piscinas que pontilhavam o subúrbio de Houghton, em Johannesburgo, porque "no próximo ano elas estarão vermelhas de sangue".Mas o banho de sangue inevitável nunca ocorreu. Mandela saiu da prisão em 1990 e buscou reconciliação, não vingança. Posteriormente Mandela diria: "Sempre parece impossível até que seja feito".Como incontáveis outros, eu vim para os Estados Unidos porque as possibilidades são maiores aqui do que nas fronteiras mais estreitas da Europa. Talvez seja meu "pecado original" africano, mas quando Obama diz que "eu nunca esquecerei que em nenhum outro país na Terra minha história seria possível", eu sinto o medo desaparecer, como um pesadelo recuando diante da idéia ainda instigante de que "dentre muitos, nós somos verdadeiramente um".


*Roger Cohen é editor-geral do "The International Herald Tribune". Os leitores são convidados a comentar em seu blog: www.iht.com/passages

Tradução: George El Khouri Andolfato

Lembrança e esquecimento

São Paulo, quinta-feira, 20 de março de 2008

Folha de São PauloOutras idéias -

Dulce Critelli

"Como é antigo o passado recente!" Gostaria que a frase fosse minha, mas ela é de Nelson Rodrigues numa crônica de "A Menina sem Estrela".Também fico perplexa com esse fenômeno rápido e turbulento que é o tempo da vida. Não são poucas as vezes em que me volto para algum acontecimento acreditando que ele ainda é atual e descubro que ele faz parte do passado para outros. Um exemplo é quando, em sala de aula, refiro-me a eventos que se passaram nos anos 70 e meus alunos me olham como se eu falasse da Idade Média... E eu nem contei para eles que andei de bonde!A distância entre nós não é apenas uma questão de gerações. Eles nasceram em um mundo já transformado pela tecnologia e pela informática. Uma transformação que começou nos anos 50 e que não nos trouxe somente mais eletrodomésticos e aparelhos digitais. Ela instalou uma transformação radical do nosso modo de vida. Mudou o mundo e mudou o jeito de viver. Mudou o jeito de namorar, de vestir, de procurar emprego, de andar na rua e de se locomover pela cidade. Mudou o corpo. Mudou o jeito de escrever, de estudar, de morar e de se divertir. Mudou o valor da vida, do dinheiro e das pessoas...Outros tempos. E, quando um jeito de viver muda, ele não tem volta. Não se pode ter a experiência dele nunca mais. Por isso, meus alunos e eu só podemos compartilhar o tempo atual. Não podemos compartilhar um tempo que, para eles, é passado, mas, para mim, ainda é presente.Os fatos de 30 anos atrás não são passado na minha vida. Para mim, meu passado não passou e minha história não envelhece. Minha memória pode alcançar os acontecimentos que vivi a qualquer momento, e posso revivê-los como se ocorressem agora. Mas, se eu os narrar, quem me ouve não pode, como eu, vivenciá-los. Por isso, para meus alunos, são contos o que para mim é vida.Mas é assim que corre o rio da vida dos homens, transformando em palavras o que hoje é ação. Se não forem narrados, os acontecimentos e os nossos feitos passam sem deixar rastros. Faladas ou escritas, são as palavras que salvam o já vivido e o conservam entre nós. Salvam os feitos e os acontecimentos da sua total desintegração no esquecimento.A memória do já vivido e a sua narração numa história é o que possibilita a construção da História e das nossas histórias pessoais. Só os feitos e os acontecimentos narrados em histórias são capazes de salvaguardar nossa existência e nossa identidade.Só conservados pela lembrança é que os feitos e os acontecimentos podem entrar no tempo e fazer parte de um passado. Recente ou antigo.

DULCE CRITELLI, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP, é autora de "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia -Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana

quinta-feira, 6 de março de 2008

Rambo

CONTARDO CALLIGARIS

Os filmes de Rambo retratam as variações do espírito americano nos últimos 25 anos
"RAMBO 4" está em cartaz no Brasil desde a sexta-feira passada.Assisti ao filme mais de um mês atrás, no dia de sua estréia nos Estados Unidos. Foi numa sala do cinema AMC, na rua 42, em Nova York, e o espetáculo era mais na platéia do que na tela: já durante as propagandas e os trailers, surgiam gritos que queriam apressar a chegada do guerreiro: "Rambooo!!". É fácil entender por que John Rambo é um herói popular: ele é um concentrado dos devaneios do indivíduo ocidental. É o pistoleiro de "Gatilho Relâmpago": ninguém imagina quem ele é e do que ele é capaz (parecemos inócuos pais de família, mas somos tigres adormecidos, viu? Não cutuque). É Shane, o andarilho misterioso de "Os Brutos Também Amam" (e de seu remake "O Cavaleiro Solitário"), que chega, faz justiça e vai embora ferido, levando consigo o coração de mulheres e crianças. É o delegado de "Matar ou Morrer", que, sozinho ou quase, enfrenta a todos. E é também, desde o primeiro filme da série, um homem à procura de um pai. Que mais poderíamos querer da vida? Claro, Rambo é execrado por quem gostaria que nosso repertório de sonhos fosse diferente. Além disso, os filmes de Rambo são, no mínimo, desiguais. Mas não quero falar nem da qualidade cinematográfica dos filmes nem da relação de Rambo com o protótipo do herói promovido pelo western hollywoodiano. Há um outro aspecto da série que me interessa mais: os filmes de Rambo traçam um retrato das variações de um estado de espírito dos norte-americanos nos últimos 25 anos. O primeiro, "First Blood" (primeiro sangue, mas, no Brasil, o título foi "Rambo"), de 1982 (inspirado num romance de 1972), expressava perfeitamente o conflito de uma nação que passava da oposição contra a guerra no Vietnã, nos anos 70, à sensação culpada de ter traído seus próprios soldados. O segundo, de 1985, era a conseqüência imediata do primeiro: o resgate dos hipotéticos prisioneiros da mesma guerra lavava, enfim, a honra nacional. Poucos anos mais tarde, o sucesso do musical "Miss Saigon" confirmava essa peripécia espiritual: a vergonha de uma guerra impopular era substituída pela vergonha de ter abandonado amigos, aliados, presos e (essa era a novidade do musical) as crianças nascidas dos amores de guerra. No terceiro, de 1988, Rambo já desistira de guerrear. Ele só ia à luta, no Afeganistão ocupado pelos soviéticos, para salvar o coronel Trautman, seu mentor. Mesmo na Guerra Fria "tradicional", em suma, só vale a pena lutarmos se for para defender os "nossos", ou seja, os mais próximos. Hoje, o quarto (e último, imagino) filme de Rambo é uma espécie de conclusão lógica: intervir, meter-se na casa dos outros é impossível. Os missionários, com Bíblias e remédios, não mudam nada no horror que eles visitam. No melhor dos casos, eles satisfazem sua própria consciência culpada; no pior, eles acabam mortos. A força tampouco muda nada, ela deixa mais um rastro de sangue, e as coisas continuam iguais. Só resta voltar para casa. No meio da atual aventura iraquiana, que não tem saída em vista e produziu, como efeito, a substituição de um horror por outro, a derradeira aventura de Rambo completa uma longa argumentação pelo isolacionismo -que é uma antiga tentação americana, crescente desde a Guerra do Vietnã. É possível que uma vitória dos democratas nas eleições presidenciais de novembro leve os EUA a adotar a escolha final de Rambo. Seria um alívio? Pode ser. Mas talvez seja mais sábio ficar com um "veremos". Afinal, não sabemos como seria o mundo sem o intervencionismo americano. Na semana passada, também estreou "Jogos de Poder", de Mike Nichols. O filme narra a história verídica (e, aliás, francamente engraçada) de como se decidiu e se tornou possível a ajuda dos EUA à resistência mujahidin contra a ocupação soviética, nos anos 80. Considerando que adotamos facilmente um estilo paranóico na interpretação das decisões políticas (ou seja, imaginamos conclaves sofisticados e maquiavélicos), o filme é, ao mesmo tempo, salutar e inquietante. Saí da sala com esta impressão: no caso, aparecem duas diferenças básicas entre uma improvisação dos Parlapatões e a suposta "decisão estratégica" do governo dos EUA: 1) O espaço dos Parlapatões é na praça Roosevelt, e o governo dos EUA está em Washington; 2) Os Parlapatões têm muito menos dinheiro do que os EUA.

São Paulo, quinta-feira, 06 de março de 2008 - Folha Ilustrada

terça-feira, 4 de março de 2008

Bem vindos alunos e alunas de 2008!


Como vão?


Sintam-se à vontade para usar esse blog. Leiam os arquivos postados pela turma anterior. Comentem. Participem. Se quiserem compartilhar comigo a autoria do blog, postando também suas próprias matérias, basta solicitar pelo e-mail bido@fmu.br. Eu lhe enviarei um convite e as orientações para tanto.


Ao clicar sobre arquivos de texto e material de aula, será solicitada uma senha. Digite bidopsicosocial.


Divirtam-se!


Bido


segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O que é uma resenha bibliográfica?

Resenha ou análise bibliográfica é uma síntese ou um comentário dos livros publicados feito em revistas especializadas das várias áreas da ciência, das artes e da filosofia.
As resenhas têm papel importante na vida científica de qualquer estudante e dos especialistas, pois é através delas que se toma conhecimento prévio do conteúdo e do valor de um livro que acaba de ser publicado, fundando-se nesta informação a decisão de se ler o livro ou não, seja para o estudo seja para um trabalho em particular.
Uma resenha pode ser puramente informativa, quando apenas expõe o conteúdo do texto, é critica quando se manifesta sobre o valor e o alcance do texto analisado; é critico-informativa quando expõe o conteúdo e tece comentários sobre o texto analisado.
A resenha estrutura-se em várias partes lógico-redacionais. Abre-se com um cabeçalho, no qual são transcritos os dados bibliográficos completos da publicação resenhada; uma pequena informação sobre o autor do texto, dispensável se o autor for muito conhecido; uma exposição sintética do conteúdo do texto, de acordo com a análise temática, destacando o assunto, os objetivos, a idéia central, os principais passos do raciocínio do autor. Finalmente deve conter um comentário crítico. Trata-se da avaliação que o resenhista faz do texto que leu e sintetizou.
Essa avaliação crítica pode assinalar tanto os aspectos positivos quanto os negativos do mesmo. Assim, pode-se destacar a contribuição que o texto traz para determinados setores da cultura, sua qualidade científica, literária ou filosófica, sua originalidade etc; negativamente, pode-se explicar as falhas, incoerências e limitações do texto.
Esse comentário é normalmente feito como último momento da resenha, após a exposição do conteúdo. Mas pode ser distribuído difusamente, junto com os momentos anteriores: expõe-se e comenta-se simultaneamente as idéias do autor.
As críticas devem ser dirigidas às idéias e posições do autor, nunca a sua pessoa ou às suas condições pessoais de existência.
Quem é criticado é o pensador/ autor e suas idéias, e não a pessoa humana que as elabora.
É sempre bom contextuar a obra a ser analisada, no âmbito do pensamento do autor, relacionando-a com seus outros trabalhos e com as condições gerais da cultura da área, na época de sua produção.
Na medida em que o resenhista expõe e aprecia as idéias do autor, ele estabelece um diálogo com os mesmos. Nesse sentido, o resenhista pode até mesmo expor suas próprias idéias, defendendo seus pontos de vista, coincidentes ou não com aqueles do autor resenhado.


Bibliografia:

SEVERINO, Antonio J. Metodologia do Trabalho Científico, 22 Ed.rev. e ampl. de acordo com a ABNT, São Paulo: Editora Cortez, p.131 - 132, 2002.

Contribuição da Dina




sexta-feira, 26 de outubro de 2007

As mudanças que têm caracterizado o mundo atual

Para podermos desenvolver um projeto, seja ele de vida, profissional ou social, é necessário, em primeiro lugar, refletir sobre as mudanças que têm caracterizado o mundo atual.

Segundo J. Delors:
“a humanidade entrou num período de mudanças cuja amplitude, profundidade e, sobretudo, rapidez, provavelmente nunca tiveram um equivalente na história. A internacionalização da vida das sociedades nacionais, o fenômeno da mundialização, os problemas do meio ambiente, as tensões e os conflitos de um novo tipo, bem como a generalização de certas normas e de certos comportamentos culturais que entram em conflito com os valores tradicionais, os problemas éticos cada vez mais complexos, dos quais nem os indivíduos nem as sociedades podem escapar, são alguns dos fatos relevantes da nossa época.”



Em outras palavras, estamos passando por uma crise de paradigmas, que se reflete em todos os setores, trazendo vários desafios pessoais e profissionais.


(Contribuição da Dina)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Como nascem os paradigmas


"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO".

Albert Einstein



Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de um tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."