segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O que é uma resenha bibliográfica?

Resenha ou análise bibliográfica é uma síntese ou um comentário dos livros publicados feito em revistas especializadas das várias áreas da ciência, das artes e da filosofia.
As resenhas têm papel importante na vida científica de qualquer estudante e dos especialistas, pois é através delas que se toma conhecimento prévio do conteúdo e do valor de um livro que acaba de ser publicado, fundando-se nesta informação a decisão de se ler o livro ou não, seja para o estudo seja para um trabalho em particular.
Uma resenha pode ser puramente informativa, quando apenas expõe o conteúdo do texto, é critica quando se manifesta sobre o valor e o alcance do texto analisado; é critico-informativa quando expõe o conteúdo e tece comentários sobre o texto analisado.
A resenha estrutura-se em várias partes lógico-redacionais. Abre-se com um cabeçalho, no qual são transcritos os dados bibliográficos completos da publicação resenhada; uma pequena informação sobre o autor do texto, dispensável se o autor for muito conhecido; uma exposição sintética do conteúdo do texto, de acordo com a análise temática, destacando o assunto, os objetivos, a idéia central, os principais passos do raciocínio do autor. Finalmente deve conter um comentário crítico. Trata-se da avaliação que o resenhista faz do texto que leu e sintetizou.
Essa avaliação crítica pode assinalar tanto os aspectos positivos quanto os negativos do mesmo. Assim, pode-se destacar a contribuição que o texto traz para determinados setores da cultura, sua qualidade científica, literária ou filosófica, sua originalidade etc; negativamente, pode-se explicar as falhas, incoerências e limitações do texto.
Esse comentário é normalmente feito como último momento da resenha, após a exposição do conteúdo. Mas pode ser distribuído difusamente, junto com os momentos anteriores: expõe-se e comenta-se simultaneamente as idéias do autor.
As críticas devem ser dirigidas às idéias e posições do autor, nunca a sua pessoa ou às suas condições pessoais de existência.
Quem é criticado é o pensador/ autor e suas idéias, e não a pessoa humana que as elabora.
É sempre bom contextuar a obra a ser analisada, no âmbito do pensamento do autor, relacionando-a com seus outros trabalhos e com as condições gerais da cultura da área, na época de sua produção.
Na medida em que o resenhista expõe e aprecia as idéias do autor, ele estabelece um diálogo com os mesmos. Nesse sentido, o resenhista pode até mesmo expor suas próprias idéias, defendendo seus pontos de vista, coincidentes ou não com aqueles do autor resenhado.


Bibliografia:

SEVERINO, Antonio J. Metodologia do Trabalho Científico, 22 Ed.rev. e ampl. de acordo com a ABNT, São Paulo: Editora Cortez, p.131 - 132, 2002.

Contribuição da Dina




sexta-feira, 26 de outubro de 2007

As mudanças que têm caracterizado o mundo atual

Para podermos desenvolver um projeto, seja ele de vida, profissional ou social, é necessário, em primeiro lugar, refletir sobre as mudanças que têm caracterizado o mundo atual.

Segundo J. Delors:
“a humanidade entrou num período de mudanças cuja amplitude, profundidade e, sobretudo, rapidez, provavelmente nunca tiveram um equivalente na história. A internacionalização da vida das sociedades nacionais, o fenômeno da mundialização, os problemas do meio ambiente, as tensões e os conflitos de um novo tipo, bem como a generalização de certas normas e de certos comportamentos culturais que entram em conflito com os valores tradicionais, os problemas éticos cada vez mais complexos, dos quais nem os indivíduos nem as sociedades podem escapar, são alguns dos fatos relevantes da nossa época.”



Em outras palavras, estamos passando por uma crise de paradigmas, que se reflete em todos os setores, trazendo vários desafios pessoais e profissionais.


(Contribuição da Dina)

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Como nascem os paradigmas


"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO".

Albert Einstein



Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de um tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sobre o filme "Tropa de Elite"


CONTARDO CALLIGARIS


"Tropa de Elite"



"Nóis goza", mas "nóis sofre" de culpa: somos desculpados de nossa inércia pela culpa
NA SEXTA passada, "Tropa de Elite", de José Padilha, estreou em São Paulo e no Rio; amanhã, entrará em cartaz no resto do país. O filme é inspirado no livro "Elite da Tropa" (Objetiva), de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel (os dois últimos são policiais).Padilha nos apresenta um momento de crise na vida do capitão Nascimento (o ótimo Wagner Moura), do Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM do Rio. Além do combate entre as forças da ordem e os bandidos do tráfico, há quatro eixos de tensão: a oposição entre o Bope (um pequeno corpo de incorruptíveis treinados para a guerra) e um sistema policial inepto e corrupto; o conflito entre a vida de família do capitão, que vai ser pai, e, do outro lado, a brutalidade de sua tarefa; a luta do capitão contra o desgaste e os efeitos traumáticos de seu dia-a-dia; o embate entre a polícia e os próprios cidadãos de quem ela deveria defender a vida, a tranqüilidade e as posses. Para cada um desses eixos, qualquer cinéfilo poderia evocar vários filmes memoráveis, sobretudo americanos. Mas o embate entre a polícia e os cidadãos que ela defende revela, no filme de Padilha, uma especificidade nacional: nas classes privilegiadas e supostamente "ordeiras", a simpatia pelo crime e a antipatia pela polícia não são efeito, como de costume, de rebeldia e sede de aventuras. Elas nascem de um forte e difuso sentimento de culpa social ou, no mínimo, justificam-se por ele. Mas vamos com calma. Em "Tropa de Elite", o cineasta José Padilha conseguiu, de maneira admirável, suspender o julgamento e apresentar nossa "guerra" cotidiana como um incômodo dilema moral, sem tomar partido. Para alguns, essa suspensão do julgamento valeu como uma negação da culpa social que, aparentemente, segundo eles, deveria orientar nossa compreensão do mundo. Com isso, o filme foi acusado de "idealizar" o Bope e de fazer uma apologia "fascista" do "Estado policial" e da tortura instituída. Essas críticas são descabidas, mas resta a pergunta: será que não é perigoso calar nossa culpa social? Será que a culpa diante da injustiça não é justamente o que nos levaria a entendê-la melhor e a agir? Pois é, nada disso. Respondo: 1) Em regra, a culpa não produz ação, mas descarrego. Funciona da seguinte maneira: somos autorizados a fazer pouco ou nada para que a situação mude porque o sofrimento de nossa consciência nos absolve. Inversão da frase de José Simão: "nóis goza" de muitos privilégios, mas "nóis sofre" de muita culpa. Somos desculpados de nossa inércia pela culpa que sentimos. 2) Também em regra, a culpa é péssima conselheira. Ela induz a acreditar numa contabilidade estapafúrdia, pela qual há cidadãos que devem e outros aos quais é devido, sem a mediação de lei alguma. Assim, Ferréz, na Folha da segunda passada, pode achar que o relógio roubado de Luciano Huck "paga" a miséria de seus assaltantes. Ele se expressa como se a lei não fosse (não devesse ser) a referência comum para todos: o problema não é que assaltar é crime, Huck é culpado e devedor, e o "correria" cobra o devido. Essa maneira de entender o social oferece a todos uma compensação substancial: se a lei não é a referência comum, podemos ser assaltados nos faróis, mas também podemos praticar cada tipo de mediocridade moral e de ilegalidade, sonegar, saquear o bem público, pagar salários de esmola e por aí vai. Em agosto, uma versão inacabada de "Tropa de Elite" foi distribuída ilegalmente em DVD, de camelô em camelô, pelo país afora. Nessa ocasião, houve vozes para justificar a pirataria e racionalizar um desrespeito endêmico à lei. Havia o estilo "eu não serei o único otário", que, grosso modo, diz assim: "Se Renan Calheiros é presidente do Senado, eu posso comprar um DVD pirata". E havia o estilo "está na hora de mudar", em que um ato que nega a propriedade intelectual é justificado diretamente pela injustiça social dominante. Valia tudo, salvo o óbvio: pela lei, piratear é crime. Pois bem, quando a culpa organiza nossa visão do mundo, tudo é permitido, assaltar de moto, a pé, de carro ou de colarinho branco. Se você quiser passar uma hora e meia com o coração na mão e se quiser pensar e viver a realidade nacional um pouco além dos limites impostos pela consciência culpada, não perca "Tropa de Elite".

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Não seja um inseto!


I
Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregório Samsa deu por si na cama transformado
num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao
levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos
arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar.
Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se
desesperadamente diante de seus olhos.
Que me aconteceu? — pensou. Não era nenhum sonho. O quarto, um vulgar quarto humano, apenas
bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por
cima da mesa, onde estava deitado, desembrulhada e em completa desordem, uma série de amostras de
roupas: Samsa era caixeiro-viajante, estava pendurada a fotografia que recentemente recortara de uma
revista ilustrada e colocara numa bonita moldura dourada.
Mostrava uma senhora, de chapéu e estola de peles, rigidamente sentada, a estender ao espectador um
enorme regalo de peles, onde o antebraço sumia!
Gregório desviou então a vista para a janela e deu com o céu nublado — ouviam-se os pingos de chuva a
baterem na calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico. Não seria melhor dormir um pouco
e esquecer todo este delírio? — cogitou. Mas era impossível, estava habituado a dormir para o lado
direito e, na presente situação, não podia virar-se. Por mais que se esforçasse por inclinar o corpo para a
direita, tornava sempre a rebolar, ficando de costas. Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos,
para evitar ver as pernas a debaterem-se, e só desistiu quando começou a sentir no flanco uma ligeira dor
entorpecida que nunca antes experimentara.

A METAMORFOSE, de FRANS KAFKA

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Fique querendo



Leiam a boa reflexão sobre consumo, publicada na Folha de São Paulo:



São Paulo, quinta-feira, 04 de outubro de 2007




Anna Veronica Mautner


[...] O CONSUMISTA SUSPENDE A SUA APTIDÃO DE PENSAR PARA SE DEIXAR LEVAR PELO GRITO DO SEU DESEJO, COMO UMA CRIANÇA

"Ah! Você quer? Pois que fique querendo, porque querer e ficar esperando não fazem mal a ninguém." É um jeito de falar infantil, até malcriado, mas encerra uma grande verdade. Todos sabemos que "querer não é poder". Conseguir o que se quer depende de treinamento. Os bebês nascem como verdadeiras máquinas desejantes, que precisam de proteção imediatamente. O ar, o leite e o aconchego são vitais. Pela vida afora, temos de continuar a querer isto ou aquilo -uns mais, outros menos urgentes. Esperar é um aprendizado crucial: é assim que desenvolvemos aspectos essenciais da vida mental. Temos de aprender a distinguir, entre as necessidades, a que tem de ser atendida já da que pode esperar. Quando nenês, esperneamos por tudo que queremos. Com o tempo, distinguimos urgências urgentíssimas de outras que podemos protelar. Devagar, o ato de espernear vai sendo substituído por ensaios de pensar. Ninguém nasce pensando -eis algo que demanda treino. Não é um processo simples: são muitas etapas que, ordenadas, resultam em percepções, avaliações, julgamentos e, finalmente, pensamentos. A imagem do desejado ganha representação na nossa mente. Se eu quero uma bola e não a tenho à mão, vou encucar até desistir ou conseguir. Enquanto a tenho na mente, vou matutando jeitos de consegui-la. É nessa espera que reside a importância do "ficar querendo". Quando quero a bola e me dão a bola, não aprendo nada. Se tenho de estender o braço para alcançá-la, já preciso comparar a distância com o comprimento do meu braço. Se nem a tenho à mão nem ao meu alcance, preciso lançar mão de outras aptidões. "Onde a bola costuma ser guardada? Quem a guarda? Quem mais joga bola?" Essa cena é um belo exercício de pensar. Pensar se aprende pensando. Para desejar e realizar o desejo, temos de lançar mão de uma grande quantidade de conhecimentos. Não adianta querer jabuticaba na Arábia ou mesmo aqui, fora de época. A partir da infância, vamos desenvolvendo muitas aptidões que nos levam a memorizar, classificar, distinguir, tudo para melhor vencer as dificuldades. Depois de aprender a esperar, o que não quer dizer parar de querer, nós, enquanto máquinas desejantes, temos de lembrar uma infinidade de "prazos de validade". Guardar uma banana descascada na bolsa é bobagem. Dando um salto de desejante para consumista, defrontamo-nos com outra paisagem. O consumista suspende a sua aptidão de pensar para se deixar levar pelo grito do seu desejo, como uma criança. Outro personagem que suspende seu juízo de valor é o acumulador. Ele não usa os prazos de validade, a capacidade de categorizar: junta tudo, como se fosse tudo igual. Desejar, esperar, selecionar, optar, julgar e rever são aptidões mentais indispensáveis para uma harmônica relação de troca com o mundo. Enquanto esperamos e pensamos, estamos caminhando para a civilidade e para a autonomia.

ANNA VERONICA MAUTNER , psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, é autora de "Cotidiano nas Entrelinhas" (ed. Ágora)
amautner@uol.com.br

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Estudando com o blog

Caro aluno:

Você pode usar o blog de várias maneiras.

Para participar enviando um texto, uma figura, um gráfico, etc, você deve primeiro estar inscrito como autor desse blog. Para isso, envie-me um e-mail (bido@fmu.br) e eu vou lhe fazer um convite. Ao receber o convite, basta clicar no link enviado e seguir as instruções.

Para participar comentando os textos, basta clicar em "comentários", logo abaixo da mensagem.

Os textos dados em aula, bem como as apresentações usadas, serão disponibilizados aqui. Para acessá-los, você precisará de uma senha. Basta me enviar um e-mail e eu lhe indicarei a senha.

Além disso, quando utilizarmos um texto científico em formato eletrônico, bastará você clicar sobre o link para acessá-lo.

Sempre que precisar, envie uma mensagem para sanar suas dúvidas.

Bons estudos!

Bido
bido@fmu.br

Iniciando

Caros alunos:

Em tempos de interatividade e comunicação, vamos utilizar o blog como um espaço de discussão e troca de conhecimento.

A idéia é construirmos, sobre a nossa prática, um conjunto de conhecimentos discutidos e fundamentados teoricamente.

Aqui também estarão disponíveis os materiais e textos em formato digital trabalhados em sala de aula.

Participem e aproveitem.

Abraços

Bido